08fevereiro
60 ANOS DE DANÇAS DRAMÁTICAS DO BRASIL


60 ANOS DE DANÇAS DRAMÁTICAS DO BRASIL

Palestra de Cacá Machado focaliza o livro pioneiro de Mário de Andrade

 

Manifestações estudadas por Mário continuam presentes na cultura popular brasileira

 

Em 2019, completam-se 60 anos da publicação do livro Danças Dramáticas do Brasil, de Mário de Andrade, organizado por Oneyda Alvarenga, que reúne os estudos do escritor sobre as danças dramáticas brasileiras, integrantes da cultura popular do país. Para discutir o tema, a Casa Mário de Andrade oferece uma palestra no dia 9 de fevereiro, com o reconhecido compositor e pesquisador Cacá Machado, professor da UNICAMP.

O livro é estruturado em três volumes. No primeiro, há uma explicação sobre o que são as danças dramáticas e como seus temas são majoritariamente de caráter religioso: “(...) O assunto de cada bailado é conjuntamente profano e religioso, nisso de representar ao mesmo tempo um fator prático, imediatamente condicionado a uma transfiguração religiosa.”. Outro tema tratado é a Chegança, antiga dança dramática, cujos movimentos relembram as disputas entre cristãos e mouros no início na monarquia portuguesa.

No segundo volume, Mário discorre principalmente sobre os Congos e o Maracatu, danças de matriz africana. A Congada é constituída por um cortejo, cuja encenação principal é a coroação dos antigos reis do Congo. Apresenta elementos da cultura e religiosidade africana (Congo e Angola, principalmente) e portuguesa.

O maracatu surge provavelmente entre os séculos XVII e XVIII, onde hoje é o Estado de Pernambuco, sendo resultado do contato entre culturas ameríndias, africanas e europeias. Os maracatus pernambucanos representam o que foram os Congos e Congadas coloniais, tendo como característica seu modo de dançar.

Por último, no terceiro tomo, o autor disserta sobre o Bumba-Meu-Boi e o Moçambique.

O Bumba-Meu-Boi é uma das festas folclóricas mais tradicionais do Brasil e acredita-se que o festejo teve origem no Nordeste no século XVII, durante o Ciclo do Gado, quando o boi tinha grande importância econômica no país. Nessa encenação, semelhante a um auto, misturam-se danças, músicas e teatro. Desde 2011, a manifestação é considerada Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Para assistir um vídeo elaborado pelo IPHAN sobre o Bumba-Meu-Boi maranhense, clique aqui.

Já o Moçambique estrutura-se como uma dança dramática semelhante ao maracatu, sendo um cortejo que, em determinadas épocas do ano, vagueia pelas ruas parando para dançar na frente das casas. A dança consiste em duas fileiras compostas por pessoas vestidas de branco e com chapéus que levam fitas ou medalhas de santos, além dos bastões nas mãos e os paiás – chocalhos amarrados nas pernas. As vestimentas podem trazer referências sobre Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. A dança é executada ao som de instrumentos, tais como: caixa, viola, sanfona, violão e cavaquinho. Junto aos músicos, ficam o rei e a rainha do Moçambique que conduzem a bandeira do grupo.

É importante destacar que as manifestações estudadas por Mário de Andrade ainda estão presentes na cultura popular brasileira e, atualmente, algumas delas constituem festas tradicionais de várias regiões do Brasil.


Foto: Clara Angeleas / MinC


Serviço:

Palestra

60 anos de Danças Dramáticas do Brasil

Por Cacá Machado

Sábado, 9 de fevereiro, das 16h às 18h

Para maiores informações, clique aqui