O Museu
Celebrar a trajetória e o legado de Mário de Andrade, aproximar sua obra de públicos diversos e reconhecer sua casa como espaço de memória, conexão e diálogo. É com esses propósitos que nasceu a Casa Mário de Andrade, museu da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerida pelo Instituto Poiesis. Instalada no conjunto de sobrados onde o intelectual viveu com sua família e produziu grande parte de sua obra, a instituição dedica-se a apresentar e discutir as múltiplas dimensões da figura pública e privada de Mário, atuando como polo agregador, articulador e irradiador de seu legado.
Após sua morte, o imóvel abrigou diferentes iniciativas culturais, sempre mantendo viva a relação entre a casa e a cidade. Em 2018, tornou-se museu dedicado integralmente a seu pensamento e trajetória. A partir de exposições, atividades educativas, programações culturais, debates, cursos e pesquisas, a Casa Mário de Andrade articula saberes de diferentes campos e aproxima o público da complexidade de sua obra. A Casa está de portas abertas para o diálogo, convidando cada visitante a percorrer os caminhos, perguntas e horizontes deixados por uma das figuras centrais da vida cultural brasileira.
A residência foi o espaço de produção e onde se reuniam os principais atores da vida cultural paulista da primeira metade do século XX. A casa e seu cotidiano aparecem fartamente na poesia, na prosa e nas correspondências de Mário de Andrade, como seu porto seguro e fonte de inspiração. Enquanto museu-casa, a Casa Mário de Andrade coloca-se como um espaço de encontro entre a intimidade doméstica e a formação cultural do país. Mário Raul de Moraes Andrade (1893–1945) foi poeta, romancista, ensaísta, musicólogo, fotógrafo, gestor público e um dos formuladores das políticas culturais modernas no Brasil. Líder do movimento modernista de 1922 e pioneiro na valorização das culturas populares brasileiras, Mário deixou uma obra multifacetada, marcada pela experimentação, pela pesquisa e pela defesa de uma cultura brasileira plural.
DE RESIDÊNCIA À MUSEU-CASA
A Casa Mário de Andrade ocupa os três sobrados geminados, onde moraram o escritor e sua família. As construções, em estilo eclético, foram projetadas por Oscar Americano em 1920. O primeiro sobrado, na esquina, era ocupado por Mário, sua mãe Maria Luísa (Dona Mariquinha), sua tia e madrinha Ana Francisca (tia Nhanhã), sua irmã Maria de Lourdes, além de ter sido local de trabalho de diversas trabalhadoras domésticas, como Sebastiana Campos, cozinheira. Essas mulheres foram as responsáveis por manter a casa e organizar seu funcionamento. Esse primeiro imóvel foi a sede do museu até a sua reforma atual. O sobrado do meio pertencia ao irmão mais velho, Carlos, e sua esposa Celeste. O último deveria ficar para Mário, o que nunca chegou a acontecer, por isso era alugado para terceiros. Os dois primeiros imóveis não tinham muro nos fundos; o quintal era comum, propiciando uma vida familiar compartilhada.
Localizada na Rua Lopes Chaves, o conjunto familiar está inserido na Barra Funda, um bairro de origem operária nas margens do centro urbanizado com marcante presença negra. Nas proximidades da casa surgiram diversos espaços e instituições políticas e culturais negras, como o Largo da Banana, a redação do jornal A Voz da Raça, a Associação Atlética São Geraldo, a escola de samba Camisa Verde e Branco, entre outros. Embora poucos registros tenham sido encontrados até o momento, Mário de Andrade e sua família conviveram com essa vibrante comunidade.
Após a morte de Mário de Andrade (1893-1945) e a rápida ação de preservação do seu legado por meio do tombamento de seu acervo pessoal (adquirido pelo IEB-USP em 1968 e transferido para lá), foi necessário esperar outros 30 anos até que, em 1975, a residência foi tombada em nível estadual pelo CONDEPHAAT. Ao longo dos anos, o sobrado da esquina teve diversos usos culturais. Em 1974, recebeu o Centro de Estudos Macunaíma, com um projeto de formação teatral, e ações voltadas a seu potencial de centro cultural, com ensaios de shows musicais, projetos de cenografia, exercícios de sensibilização do corpo, entre outros. Na década de 1980, foi a sede do Museu de Literatura de São Paulo, tendo promovido uma série de iniciativas, muitas delas registradas em imagens e/ou sons, gerando um acervo audiovisual que ainda permanece na Casa de Mário de Andrade. Na década de 1990, com a criação do programa “Oficinas Culturais” pelo governo do estado, a Casa Mário de Andrade se tornou a Oficina da Palavra, dedicada a ministrar atividades gratuitas de formação e difusão cultural em diferentes linguagens artísticas.
Em 2015, após processo de restauro, a Casa de Mário de Andrade foi reaberta ao público na ocasião do 70º aniversário de morte de escritor, com a inauguração da exposição de longa duração “A Morada do Coração Perdido”, com curadoria de Carlos Augusto Calil, que apresentava objetos pessoais, móveis originais da residência, textos, fotos e vídeos. No ano de 2018, a antiga residência tornou-se formalmente um museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e passou a oferecer ao público exposições, atividades de formação e difusão cultural que contemplam os focos de atuação de Mário de Andrade, além de debates acerca da gestão e da política cultural, áreas em que o escritor atuou de forma pioneira.
Depois de quase dois anos fechada para obras de unificação dos três sobrados, em 2024 a Casa Mário de Andrade foi reaberta ao público, com um espaço expositivo ampliado, novas áreas de convivência e com maior acessibilidade. Atualmente, o museu está em de fortalecimento de seu Centro de Preservação, Pesquisa e Referência – que tem por missão referenciar o vasto legado de Mário de Andrade.
Saí desta morada que se chama O CORAÇÃO PERDIDO e de repente não existe mais
Mário de Andrade